Todos nós nos lembramos das histórias da nossa infância. O sapato que cabe na cinderela, o sapo que vira príncipe... Bela Adormecida acordada por um beijo. Era uma vez e viveram felizes para sempre. Conto de fadas. Coisa de sonhos. O problema é que contos de fada não viram realidade. São as outras histórias que viram. Aquelas que começam com noites tempestuosas... e terminam com o indescritível. São os pesadelos que sempre parecem virar realidade.
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Once a time
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
Um aceno. Um toque de mãos. Um déjà vu. Lançar os olhos ao passado. Um breve passeio pela alameda da nostalgia. Uma lembrança. Uma inevitável comparação. Não. Não, isso não me basta, viver de lembranças, de migalhas de algo que foi, esperanças de como poderia ter sido. Imagens turvam-se em sua mente, como as tintas de um quadro lançado na água, como o fogo quando consome um retrato... Imagens que se perdem, sonhos que se vão. Bem vinda, realidade.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
(Re)começo. Entrar naquela mesma sala e ter a certeza de que nada mais será como antes. É difícil recordar o passado, mas torna-se inevitável fazê-lo estando ali. Memórias. Vozes que ecoam. Tormentos. Alegrias e desilusões. Folhas amareladas que teimam em ser viradas por um vento que entra pela porta que ficou aberta. Folhas amareladas que não se consegue arrancar. Tudo ainda é muito recente. Aquela tarde, aquele vinho, aquela espera... eu te amo, eu te amo, eu te amo! Se disser isso mais uma vez, não me responsabilizo por meus atos...
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Do outro lado da porta, mais um dia de outono. É abril. De volta para a rotina dos estudos, livros, cafés, cigarros. Tudo de novo. Tudo de novo outra vez... é a circularidade da vida. Um passo de cada vez. Um dia de cada vez. Momentos. Não é um recomeço. É a vida e suas voltas. Voltas que dá em espiral e situações que parecem se repetir. Sentimentos que teimam em voltar. Memórias. Embarca. Encontra um lugar vago. Senta-se. Você foi! O maior dos meus casos, de todos os abraços o que eu nunca esqueci. Você foi! Dos amores que eu tive, o mais complicado. Um homem robusto, com cheiro forte de cigarro ocupa o lugar ao seu lado. As pessoas não deveriam fumar. Talvez não devessem fumar tanto. Um som irritante: alô, oi amiiiiiiga. Patricinhas. Buzinas. Conversas. Para. Arranca. Das lembranças que eu trago na vida, você é a saudade que eu gosto de ter. Só assim, sinto você bem perto de mim outra vez. Para, demora desta vez. Um deficiente físico embarca. Arranca. Enfim, é na próxima.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Corre os olhos pela estante. Gira a cabeça. Aproxima-se. Passa o dedo lentamente pelos títulos. Nenhum parece agradar-lhe. Retira qualquer um, ao acaso. Abre. Folheia. Lê: "Quando penso sobre minha vida e olho para o passado, uma noite assustadora surge como um intenso ponto de referência. Mesmo agora, depois de tantos anos, não consigo pensar naquele encontro sem sentir um calafrio. Hoje, classifico mentalmente todos os incidentes de minha vida: os que ocorreram antes e os que ocorreram depois da noite em que vi um fantasma. Sim, vim um fantasma. Não seja incrédulo..." Fecha o livro. Coloca-o de volta no lugar. Não precisa disso. Não neste momento. Sai. Cuidadosamente gira a maçaneta. Fecha a porta.
domingo, 18 de julho de 2010
O caminho de volta é sempre longo. Mais longas são as horas de explicação: onde estava? isso são horas? isso é jeito de chegar? Deixa que a porta se feche atrás de si. A voz fica ao longe. Abafada. Silenciada. Deixa então seu corpo despencar na cama. Sujo. Não tem hora para acordar. Não tem compromissos. Só uma coisa lhe aflige o pensamento. Só uma coisa perturba-lhe. Inquieta-lhe. Fecha os olhos. Dorme.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Uma vez sentiu uma vontade indescritível de tirar a roupa e correr pela rua. Tinha bebido demais. Vontades assim só surgem nestas ocasiões. Pessoas sensatas não tem essas vontades. Pessoas sensatas não bebem. Pessoas sensatas não ficam bêbadas. Pessoas sensatas não têm ressaca. Pessoas sensatas são um porre. Pensava nisso enquanto voltava cambaleante pelas sargetas da cidade. Para. Um rato cruza seu caminho. Equilibra-se. Olha a sua volta. Não sabe onde está. Pessoas que não bebem são mesmo um saco! Dá mais alguns passos. Apóia-se em um poste. Cachorros latem para o gato que está em cima do telhado. Cachorros. Abre os olhos. O sol está quente hoje. Alguém passa e chuta sua garrafa vazia. Ela sai rolando. Buzinas. Hora de voltar para casa.
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