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Once a time

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Corre os olhos pela estante. Gira a cabeça. Aproxima-se. Passa o dedo lentamente pelos títulos. Nenhum parece agradar-lhe. Retira qualquer um, ao acaso. Abre. Folheia. Lê: "Quando penso sobre minha vida e olho para o passado, uma noite assustadora surge como um intenso ponto de referência. Mesmo agora, depois de tantos anos, não consigo pensar naquele encontro sem sentir um calafrio. Hoje, classifico mentalmente todos os incidentes de minha vida: os que ocorreram antes e os que ocorreram depois da noite em que vi um fantasma. Sim, vim um fantasma. Não seja incrédulo..." Fecha o livro. Coloca-o de volta no lugar. Não precisa disso. Não neste momento. Sai. Cuidadosamente gira a maçaneta. Fecha a porta.

domingo, 18 de julho de 2010

O caminho de volta é sempre longo. Mais longas são as horas de explicação: onde estava? isso são horas? isso é jeito de chegar? Deixa que a porta se feche atrás de si. A voz fica ao longe. Abafada. Silenciada. Deixa então seu corpo despencar na cama. Sujo. Não tem hora para acordar. Não tem compromissos. Só uma coisa lhe aflige o pensamento. Só uma coisa perturba-lhe. Inquieta-lhe. Fecha os olhos. Dorme.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Uma vez sentiu uma vontade indescritível de tirar a roupa e correr pela rua. Tinha bebido demais. Vontades assim só surgem nestas ocasiões. Pessoas sensatas não tem essas vontades. Pessoas sensatas não bebem. Pessoas sensatas não ficam bêbadas. Pessoas sensatas não têm ressaca. Pessoas sensatas são um porre. Pensava nisso enquanto voltava cambaleante pelas sargetas da cidade. Para. Um rato cruza seu caminho. Equilibra-se. Olha a sua volta. Não sabe onde está. Pessoas que não bebem são mesmo um saco! Dá mais alguns passos. Apóia-se em um poste. Cachorros latem para o gato que está em cima do telhado. Cachorros. Abre os olhos. O sol está quente hoje. Alguém passa e chuta sua garrafa vazia. Ela sai rolando. Buzinas. Hora de voltar para casa.